Micros vão à Justiça para parcelar dívida fiscal

Postado em | 24 agosto, 2010

Liminar abre possibilidade de questionar a regra atual, que não permite o parcelamento de débitos tributários às empresas do Simples

Naiana Oscar, de O Estado de S. Paulo 
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SÃO PAULO – Micro e pequenas empresas que aderiram ao Simples Nacional começam a entrar na Justiça para conseguir parcelar dívidas com o Fisco. No sistema unificado de tributação, o pagamento à vista dos débitos é um dos requisitos para que o empresário seja beneficiado pelo programa. Se estiver em atraso, ele pode ser excluído do sistema.

No fim de julho, uma das empresas de Wellington Morgado, que atua no segmento de água mineral, obteve na 25.ª Vara Federal de São Paulo uma liminar inédita que permite o parcelamento da dívida em até 60 vezes. O argumento usado pela empresa está baseado numa lei anterior, a 10.522, de 2002, que regulamenta o parcelamento de dívidas e não especifica a proibição no Simples. “A Constituição Federal prevê tratamento diferenciado às micro e pequenas e o que vemos são empresas maiores sendo favorecidas pelo parcelamento em outros regimes tributários”, diz Thiago Carlone Figueiredo, advogado responsável pela ação. A Receita Federal disse, em nota, que não comenta demandas judiciais.

Morgado explica ter recorrido ao parcelamento para permanecer no sistema – o mais vantajoso para sua empresa, que fatura cerca de R$ 2 milhões. A dívida dele, que se arrasta desde o ano passado, é de R$ 300 mil. “Não sou sonegador, mas um empresário que trabalha na legalidade”, diz. “Quero pagar o que devo, mas preciso negociar porque, nos últimos anos, o segmento em que atuo vem passando por dificuldades.”

Para Julio Durante, consultor do Sebrae, pedir o parcelamento na Justiça para é uma alternativa para empresas que estão no Simples Nacional, mas não é uma medida definitiva. “Convém que o empresário crie uma poupança porque, se a decisão for revertida, será obrigado a pagar.” A liminar obtida em São Paulo, por exemplo, é de primeira instância e a Receita pode recorrer.

Entre tributaristas, a medida divide opiniões. O advogado e consultor do Cenofisco, Fauler Lanzo Pedrecca, diz que a liminar injusta já que prejudica quem não aderiu ao Simples justamente por não poder fazer o parcelamento. “O sistema unificado por si só já é um excelente benefício e tem suas contrapartidas.” Durante, do Sebrae, entende que o aprimoramento do Simples exigiria uma mudança em relação ao tema. “Seria adequado que micro e pequenas também pudessem pleitear parcelamento, e que os casos fossem analisado individualmente.”
 
Omar.adv.brNOSSO COMENTÁRIO: vem crescendo o interesse por parte das ME/EPP em buscarem judicialmente o direito de parcelar seus débitos do Simples Nacional, afinal de contas não há vedação legal neste sentido. Como temos alegado em outras oportunidades, não há como, por um lado, permitir o parcelamento de débitos tributário que, em tese, configuram “crime contra ordem tributária” (sonegação); e, de outro lado, vedar o parcelamento do Simples Nacional. Além ferir o princípio da proporcionalidade (razoabilidade), também há infringência ao princípio da isonomia. A propósito, a Portaria Conjunta RFB/PGFN nº 15/2009, que regulamenta a Lei nº 10.522/2002, admite o “parcelamento simplificado” inclusive de contribuições retidas dos “empregados” (apropriação indébita), quando o valor do débito não superar R$ 500 mil.

Comentários

6 Respostas para “Micros vão à Justiça para parcelar dívida fiscal”

  1. jairo
    23rd setembro, 2010 @ 11:13

    Excelente a iniciativa do advogado. Gostaria de saber qual a ação proposta.

  2. Adalberto Vicentini
    26th setembro, 2010 @ 12:15

    Caro Jairo,
    O próprio Mandado de Segurança é suficiente para tanto. Estamos utilizando deste remédio processual, e não tivemos problemas. Qualquer dúvida, entre em contato conosco (email/telefone)

  3. Karina Castellani
    14th outubro, 2010 @ 21:17

    Por gentileza gostaria de entrar em contato com o advogado que propos a medida acima, requerendo o parcelamento dos debitos de empresa que estao enquadradas no simples nacional, obrigado

  4. Adalberto Vicentini
    18th outubro, 2010 @ 8:41

    Bom dia Karina,
    Não temos o contato deste advogado, pois apenas republicamos a notícia, com nossos comentários. No entanto, nosso escritório realiza este serviço. Caso tenha interesse no mesmo, favor entrar em contato por email.
    Tenha uma ótima semana.

  5. Thiago soares
    9th novembro, 2010 @ 11:31

    Olá, gostaria de saber se vocês possuem o número deste processo

  6. Adalberto Vicentini
    9th novembro, 2010 @ 16:45

    Caro Thiago,
    Não tivemos acesso ao processo. Assim que conseguirmos o inteiro teor dessa decisão, estaremos postando no site.

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